Gravidez Paterna
Alguém já imaginou um homem grávido? Não grávido de idéias ou de projetos; grávido de bebês mesmo. Alguém já pensou que o futuro poderia estar nos reservando esta surpresa? Uma espécie de clímax tardio da tão buscada igualdade entre os gêneros? A manifestação biológica da famigerada “feminização” do mundo? Neste caso, seriam os metrossexuais a vanguarda deste empreendimento? Pois saibam, o autêntico “novo homem” pode já estar em formação, bem debaixo dos nossos narizes.
A Faculdade de Ciências de Saúde e Bem-Estar Social da St George’s University of London, realizou um estudo com homens cujas mulheres estavam esperando bebês.
Um grupo de 282 homens, com idades entre 19 e 55 anos, foi monitorado durante cada estágio da gravidez de suas parceiras. O levantamento foi comparado ao de outro grupo, este com 281 homens cujas parceiras não estavam grávidas.
O resultado da pesquisa, divulgado esta semana pela BBC, mostrou que a maioria dos homens pesquisados apresentou “sintomas de gravidez”, como mudanças de humor, enjôos pela manhã e até inchaço na barriga. Alguns sofreram fortes cólicas e chegaram a sentir-se como se estivessem em trabalho de parto.
“Estes homens estavam tão sintonizados com suas parceiras que começaram a desenvolver os mesmos sintomas”, diz Arthur Brennan, pesquisador da Faculdade, que chefiou o estudo. Sintonizados? Pode ser. Mas é quase irresistível imaginar que isto aconteça porque eles simplesmente não toleram deixar o centro das atenções e fazem qualquer negócio para voltar ao lugar que lhes pertence. Até sentir dores de parto!
A medicina já conhecia estes sintomas como Síndrome de Couvade (não confundir com Síndrome de Covarde). Louann Brizendine, neuro-psiquiatra americana e autora do livro The Female Brain, acredita que a Síndrome de Couvade afete 65% dos homens no mundo todo.
A autora explica que, em geral, o organismo masculino passa por mudanças cerebrais e hormonais significativas quando a companheira está grávida.
Nas semanas que antecedem o parto, por exemplo, os futuros pais sofrem um aumento de 20% no hormônio prolactina, que é o hormônio feminino de cuidado e lactação. Ao mesmo tempo, o nível do hormônio responsável pelo stress duplica, o que aumenta a sensibilidade e o estado de alerta. Nas primeiras semanas após o parto, a testosterona cai em um terço, enquanto o estrógeno aumenta. Todas estas mudanças hormonais preparam seus cérebros para a conexão emocional com o novo bebezinho. Homens com níveis mais baixos de testosterona ouvem melhor o choro do bebê. A Sindrome de Couvade provoca a intensificação destas alterações.
Alguns cientistas acreditam que substâncias produzidas pela mulher grávida alterem o cheiro do seu corpo e possam causar estas mudanças neuro-químicas no companheiro, preparando-o, secretamente, para ser um bom pai, protetor e carinhoso.
Eu conheço um pai que sofreu de depressão pós-parto. Precisou até tomar anti-depressivos. Bom, vai ver então que ele estava “grávido” e não sabia. Neste caso, pelo que observei, ele pariu um divórcio. A criança ficou bem. Com a mãe, evidentemente.
De qualquer forma, a “democratização dos papéis de gênero” vai avançando por áreas antes impensadas e invade até a gravidez, mesmo que psicologicamente. Estaríamos caminhando para a era da neutralidade dos gêneros, como alguns autores já previram?
Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.
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