Arquivo de Julho de 2007

Mulheres ao Volante

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Mulheres ao volante não significam perigo constante, contradizendo o ditado popular. No Brasil, as companhias seguradoras gastam, anualmente, mais do que o dobro em indenizações por danos em carros dirigidos por homens do que em veículos conduzidos por mãos femininas. As mulheres são mais cuidadosas, atentas e correm menos ao volante. Entre elas, a freqüência de acidentes com perda total do carro é 15% menor. E a rentabilidade, 30% maior.

Mas, atenção, mulher separada perde ponto e paga mais. Sim, sim. Divorciada = Perigo. Culpa das estatísticas. Curiosas estas estatísticas. Será que as novas solteiras enlouquecem, caem na balada, como se não houvesse amanhã? Vai saber…

O filme abaixo é bem engraçado. Mas não responde por que este seguro, 1st For Women, seria mais interessante para as mulheres do que qualquer outro do mercado. Responde, sim, porque é mais interessante para a própria empresa segurar apenas clientes femininas.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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A Descoberta do Século!

O artigo “A arma de guerra chamada Barbie“, escrito por Paula Sibila e publicado na Trópico, traz o que, ao menos para mim, foi a maior descoberta de todos os tempos: o engenheiro que projetou a Barbie para a empresa Mattel, nos idos de 1958, havia, antes, trabalhado para a indústria de armamentos americana. E também para o Pentágono.

Uau! Nunca A foi tão igual a B que, por sua vez, esteve tão conectado a C que se projeta tão decididamente em direção a A. Tudo com a sutileza de um míssel!

Minha filha de 4 anos, que intui minha aflição cada vez que a vejo chegar perto (na casa das amiguinhas, evidentemente) de uma Barbie-míssel, me perguntou estes dias “- mamãe, por que você não gosta da Barbie?”. Poderia ter lido o artigo de Paula Sibila para ela, logo após a história dos Três Porquinhos aberta à nossa frente. Mas preferi simplificar, por enquanto, e respondi o que me veio à cabeça: “- porque ela tem sempre a mesma cara!”. E, talvez, porque ela faça todo mundo querer ter sempre a mesma cara, o que é o real problema.

O artigo da Trópico é muito bom e reflete com propriedade sobre estas e outras conexões entre a Barbie e seus primos, mísseis, sua vizinha de parede, anorexia, seu tio, bisturi, e sua meia-irmã mais nova, Paris Hilton.

Nossa singela contribuição à reflexão:

Barbie Eterna (post publicado em 2 de maio de 2007 no Blog Uma a Uma).

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O Poder das Estrelinhas

O Wal-Mart resolveu surfar na onda do “conteúdo gerado pelos consumidores”, a nova virose da Web. A maior rede varejista do mundo anunciou que seu site, agora, vai permitir que os clientes avaliem e classifiquem os produtos que adquiriram.

O objetivo, no fundo (e no raso também) é reverter o fiasco que tem sido o desempenho online da empresa. A equação é bem simples: cada “review” de usuário significa uma página a mais de conteúdo. Milhares de “reviews” de usuários significam milhares de páginas adicionais de conteúdo. Páginas prontinhas para serem indexadas pelos poderosos sites de busca, que é o que interessa. Melhor performance no Google e no Yahoo, tráfego turbinado para o site do Wal-Mart. Mágico!

A outra vantagem da iniciativa é que o poder de “dar estrelinhas” parece ser muito sedutor para os consumidores. Segundo executivos do Wal-Mart, a avaliação e a pontuação de produtos são as funcionalidades mais solicitadas pelos clientes. Estudo encomendado pela empresa também mostrou que 75% dos compradores consideram ser “extremamente importante” ou “muito importante” ler a avaliação de outros consumidores antes de comprar.

Para as mulheres que, como sabemos, são responsáveis por 80% das decisões de compra (e que já são maioria na Web americana), o espaço para as opiniões na linha “gente como a gente” é particularmente eficaz. Na visão delas, avaliações de pessoas comuns têm muito mais credibilidade do que avaliações de experts ou do próprio fabricante.

O boca-a-boca feminino já é velho conhecido dos estrategistas de marketing. Elas disseminam mais informações sobre produtos do que os homens e são mais propensas a decidir a partir de recomendações recebidas. Os recursos tecnológicos disponíveis atualmente, no entanto, potencializaram o efeito desta prática. Se antes o alcance se limitava às amigas freqüentadoras da mesma reunião de Tupperware, hoje não existem fronteiras para a opinião de uma mulher online. É o famoso “onde-a-vaca-vai-o-boi-vai-atrás”, na sua versão Web 2.0!

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Help!!!

Aconteceu com uma amiga. Vida real. Ela tinha um importante compromisso de trabalho na manhã de uma certa segunda-feira. Uma certa segunda-feira em que - a vida é assim - a babá pedira para faltar. Um certa segunda-feira simplezinha: férias, chuva, filhas pequenas enfurnadas em casa, uma delas com febre e dor de ouvido. A vizinha? Viajando. A avó? Vai a uma consulta, marcada desde o final de 2006! A cozinheira? Da última vez que deixou as duas com ela por alguns minutos, ouviu-a falando para a menor “- pronto, agora sai do forno e larga a faca, bonequinha!”.

Dilema instalado. Desmarcar a reunião com o cliente que está vindo de outro estado? Impossível. Pedir para a assistente se virar? Melhor não. Se jogar pela janela? Pode ser.

Como quando se usa um sapato levemente apertado no dedinho, o incômodo a acompanhou durante todo o final de semana. O marido, percebendo a neblina de angústia que envolvia minha pobre amiga mãe-empresária que, a esta altura, já questionava todas as suas opções de vida feitas nos últimos 36 anos, quis saber a razão daquela aflição.

Depois do desabafo (a tempestade), vem a solução (a bonança):

- Eu fico com elas!

- Ah? Como assim? Você? Onde estou? Quem sou eu?

O marido, alto-executivo de uma grande empresa, resolveu tudo em menos de 30 segundos. Checou a agenda da segunda, avaliou que todos os compromissos da manhã poderiam ser realocados, mandou um e-mail para a secretária e… pronto! Tudo resolvido. Agora, a explicação para o fato de minha amiga, que chegou a pensar em pedir ajuda ao porteiro, não ter sequer cogitado esta possibilidade, só anos e anos de uma sociedade predominantemente machista explicam.

Mas, uma coisa é certa: este casamento tem futuro! Segundo pesquisa realizada pela Pew Research, em que foram avaliados os fatores que, na opinião dos entrevistados, fazem um casamento funcionar, a “divisão das tarefas domésticas” aparece em terceiro lugar, atrás apenas da “fidelidade” e de uma “vida sexual feliz”. A cooperação nas atividades do lar, segundo a pesquisa, é mais importante do que “ganhos adequados”, “interesses em comum”, “mesmas crenças religiosas e políticas” e até “crianças”. E tem mais: foi o item que mais cresceu, em comparação à mesma pesquisa, feita em 1990, passando de 47% para 62%.

Resumo: “tudo bem não gostar dos mesmos filmes e das mesmas músicas. Tudo bem votar em outro candidato e adorar outro deus. Tudo bem até, se for preciso, viver mais modestamente. Mas, se não quiser o divórcio, faça a gentileza de não me deixar aqui com esta pilha de pratos!”

O arraigado hábito de tentar dar conta de tudo sozinha, no entanto, parece ainda acompanhar as mulheres, mesmo depois de tanta evolução. Neste sentido, elas próprias acabam alimentando a desigualdade. No caso da minha amiga, e levando em conta a pesquisa citada, o marido parece estar mais preparado do que ela para construir um casamento feliz.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Escolhas, Sempre Escolhas…

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O Brasil tem o dobro de mulheres em cargos de alta gerência, se comparado aos países desenvolvidos, de acordo com pesquisa da consultoria Grant Thornton International, feita no início deste ano.

Por aqui, 42% dos cargos, neste nível, são ocupados por mulheres, ficando atrás apenas das Filipinas, no ranking mundial de distribuição de cargos de gerência entre homens e mulheres. Para se ter uma idéia, na Europa apenas 17% destes cargos são ocupados por executivas e nos EUA, apenas 23%.

Boa notícia? Sim e não.

O desempenho do Brasil, neste aspecto, certamente é superior ao dos países desenvolvidos. Uma possível explicação, está na facilidade e no baixo custo do auxílio doméstico, se comparado ao de países do primeiro mundo. Como já mencionamos aqui no blog, o aumento absoluto do número de empregadas domésticas no Brasil, segundo a socióloga Cristina Bruschini, da Fundação Carlos Chagas, foi de quase 200% entre 1970 e 1997. Embora não seja o caso de orgulhar-se disto, já que se trata de uma oferta de serviços diretamente ligada à enorme desigualdade social, este aspecto, muitas vezes, é o que viabiliza a carreira das mulheres, principalmente com a chegada dos filhos.

Sabemos, contudo, que tanto no Brasil quanto nos países desenvolvidos, as empresas perdem inúmeros talentos femininos todos os anos, muito mais do que perdem talentos masculinos.

Um levantamento recente da Catho mostrou que as mulheres ocupam apenas 10% dos cargos de presidência em empresas com mais de 1.500 funcionários. Nos EUA, atualmente, 25% das mulheres com MBA não estão trabalhando.

As executivas que optam por ter filhos vivenciam constantemente intensos conflitos, na tentativa de conciliar uma carreira em ascensão às novas demandas que surgem com a maternidade. A carga horária que precisam cumprir para manter a competitividade na escalada profissional, faz com que, muitas vezes, a mais ambiciosa das mulheres acabe percebendo a insanidade desta tarefa e decida priorizar a presença na vida dos filhos, numa vida mais equilibrada.

Não se trata de falta de ambição, muito pelo contrário, trata-se da impossibilidade de cumprir as exigências de todos os seus papéis com um mínimo de bem-estar. De acordo a pesquisa “Mães Contemporâneas”, realizada recentemente pelo Ibope, 68% das mães consideram difícil conciliar trabalho, maternidade e casamento.

Algumas mulheres que abandonam o trabalho conseguem retomar suas carreiras após a parada, mas grande parte simplesmente opta por perseguir outros caminhos profissionais, muitas vezes tão bem-sucedidos quanto os anteriores.

Para as empresas, que passam anos investindo na formação destas profissionais, e que conhecem bem o alto potencial destas executivas, não faz sentido deixá-las escapar. E é isto que, cada vez mais, as grandes empresas estão tentando evitar. Carro, bônus no final do ano, sala grande com vista para “o mar”, são sempre bem-vindos, mas não resolvem o problema. O fato é que as dinâmicas das carreiras em empresas não foram formatadas de forma a se adequar às mudanças de vida das profissionais que se tornam mães. A flexibilidade é a chave da retenção destas mulheres, o que não significa menos horas de trabalho, mas autonomia em relação a quando, onde e como usam estas horas.

Enquanto as mudanças não se consolidam, sorrisos amarelos de chefes, que no fundo querem dizer “- como assim você, logo você, em quem eu apostava tanto, resolve ficar grávida?”, vão sendo eficientes para espantar as executivas (ou para aumentar o consumo de antidepressivos).
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As empresas que se preocuparem em acomodar estas questões estarão mais perto de ganhar a fidelidade dos talentos femininos. Com 62% das mulheres brasileiras na condição de mães, deve valer a pena.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Ligeiramente Grávida

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A melhor amiga de uma amiga é também minha amiga. Uma pessoa de círculo social amplo e ativo. Uma pessoa que “freqüenta”. Muitos casamentos, muitos aniversários, muitos batizados e bat mitzvás, enfim, muitas datas. E ela se lembra de todas, sempre. Lembra tanto, que chega a me lembrar quando está chegando o aniversário de algum amigo em comum.

Esta melhor amiga de uma amiga, e também minha amiga, simplesmente esqueceu do aniversário da melhor amiga que, aliás, também é minha amiga. Como assim? Ela? Justo ela? Esqueceu?

A explicação é simples: a moça está grávida! Alguém que já tenha convivido com uma grávida sabe o que é isto. Elas esquecem. Têm inexplicáveis, inevitáveis e insuportáveis “brancos”. Sem contar que, além disso, costumam bater o carro, cochilar em qualquer canto, chorar por qualquer coisa, ter chiliques e, eventualmente, vomitar. É realmente complicado.

Voltando ao caso da amiga. Diz ela que não esqueceu. Imagina se esqueceria! Mas, então, por que não apareceu e nem ligou? Porque dormiu. Pegou no sono. Zzzzzzzz. Sabe como é, grávida sente muito sono.

Vamos atenuar sua culpa: durante os primeiros meses de gravidez, os níveis de progesterona do organismo feminino aumentam em dez vezes! Os efeitos sedativos que esta quantidade do hormônio desencadeia no cérebro, se assemelham aos provocados pela ingestão de uma caprichada dose de Valium. Além de aumentar a vontade de descansar, este efeito tranqüilizador protege a grávida do stress. Tudo absolutamente essencial, para que o organismo possa dar conta de gerar uma vida e de se preparar para fazer a vida gerada sobreviver.

Sábia Natureza. E sábia melhor amiga, que deu risada, e até se emocionou, com a “fofura” daquele esquecimento.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Verde = “Pretinho Básico”

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Responsabilidade social não vai sair de moda tão cedo. Pensando no marketing para as mulheres, podemos até concluir que trata-se do novo “pretinho básico”.

De acordo com uma pesquisa realizada este ano pela Cone, uma agência publicitária americana especializada em marketing social, as expectativas dos consumidores em relação à cidadania corporativa estão no nível mais alto de todos os tempos. Os dados mostram que 87% dos consumidores trocariam uma marca por outra se esta outra estivesse associada a uma boa causa. Em 1993, este índice era de apenas 31%. Os consumidores querem associar seu consumo às empresas do bem, e as mulheres, como sabemos, são especialmente dedicadas a isto.

Mas fazer o bem, só por fazer, não é suficiente e não convence. A pesquisa também diagnosticou que a banalização das ações de responsabilidade social está fazendo com que os consumidores deixem de se impressionar com elas. Autenticidade e originalidade são essenciais para cativar o consumidor e, sobretudo, para incentivar o boca-a-boca.

A boa notícia é que a responsabilidade social está migrando das ações corporativas para as ações individuais. E vem se tornando cada vez mais importante sinalizar para a sociedade o quanto você se importa com tudo isto.

Recentemente, o Estado de São Paulo publicou uma matéria sobre o sucesso, nos EUA, do carro híbrido Toyota Prius, um dos mais econômicos e menos poluentes do mercado, por funcionar com um misto de combustível e eletricidade. Ao contrário das muitas outras marcas que estão encontrando dificuldades para vender seus modelos híbridos, o Toyota Prius é um best-seller. A explicação encontrada é que ele é o único modelo integralmente híbrido. Quem é visto dirigindo um Prius, portanto, está mandando a mensagem para o mundo de que é um consumidor consciente, daí o sucesso.

Vale a pena conhecer o site que a Philips montou para ressaltar a consciência “verde” da marca. A empresa convida os consumidores a converterem suas lâmpadas convencionais em lâmpadas fluorescentes, que economizam energia, e mostra, imediatamente, quanto o simples ato impacta a atmosfera e a conta de eletricidade, de acordo com o número de lâmpadas convertidas. Além disso, incentiva o consumidor a iniciar seu próprio movimento, convidando seus amigos a fazer o mesmo e, assim, monitorando quanto a sua rede social está contribuindo para a humanidade.

É, não basta ser “verde”. Tem que mostrar.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Mulheres e Games

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Game é coisa de mulher! Sim, e cada vez mais. Segundo recente pesquisa publicada pela Revista Época, na Coréia 66% dos jogadores de games são mulheres. Na Europa, elas já chegam a 30%. Nos EUA, a 40%.

Os jogos mais populares entre as mulheres, no entanto, não são os tradicionalmente preferidos pelos homens. Saem as lutas, os tiros, as corridas de carros e motos, entram personagens que têm vida, emoções e conflitos. Gente como a gente, que namora, casa, briga e depois faz as pazes. No super-sucesso francês Façade (Fachada), por exemplo, a graça está em visitar um casal de amigos em plena crise conjugal. E dá-lhe DR! (discutir a relação), prática para a qual, evidentemente, as mulheres estão sempre muito bem dispostas. Obviamente, o jogo é um sucesso.

No Brasil, o game mais popular entre as adolescentes é o Ragnarök, com um terço de jogadoras do sexo feminino. Para aumentar ainda mais o interesse delas, o fabricante acaba de lançar um casamento no jogo. Os personagens organizam a festa, alugam os trajes, convidam os amigos e fazem até a lista de presentes.

Além do crescimento entre os jogadores, cresce também a participação das mulheres na criação dos games. Elas já representam metade das equipes de desenvolvimento dos jogos nos Estados Unidos, no Japão e na Coréia. Um movimento da indústria para que, cada vez mais, os novos jogos estejam alinhados aos interesses das moças.

Segundo previsão de Ernest Adams, um especialista no assunto, está tudo pronto para uma explosão do número de jogadoras de videogames, especialmente nos jogos on-line com vários participantes ao mesmo tempo. Interação, humanização, pouca utilização do joystick, são algumas características que agradam às mulheres.

O Second Life também encanta muito as mulheres, que já compõem 39% do total de usuários ao redor do mundo. O prazer de se transportar para um mundo ideal mostra-se muito sedutor. A feia torna-se uma super modelo, a solteira realiza o sonho de casar-se, a casada experimenta ter um amante, enfim, possibilidades infinitas, para múltiplos estados de espírito. As mulheres parecem estar cada vez mais confortáveis em adotar múltiplas identidades e viver versões fragmentadas delas mesmas.

A americana Faith Popcorn, que estuda constantemente as mudanças de comportamento que estão em formação nas novas gerações, prevê que a possibilidade de experimentar novas identidades no mundo virtual fará com que, cada vez mais, as pessoas rejeitem a singularidade de seus papéis sociais e busquem modelos de vida mais flexíveis. Em relação às marcas, os consumidores se tornarão mais exigentes, mutantes e pouco fiéis. A comunicação terá que se adaptar constantemente a este padrão, com posicionamentos menos estáticos, buscando oferecer o produto certo, para a personalidade “adotada” naquele momento por seu consumidor.

Se a mulher já era um enigma com uma única identidade, imagine no futuro, dona de um amplo “guarda-roupa de eus”. Haja pesquisa!

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Maduras Hot

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Elas são maduras e estão aproveitando a vida! Uma pesquisa com mulheres na menopausa, conduzida pela Amerift Brands, mostra que muitas delas estão se divertindo mais agora do que quando tinham 20 anos.

Metade das entrevistadas se sente mais jovem do que a idade cronológica que possui. Serelepes que só elas, um terço declara fazer mais sexo atualmente do que quando tinha 20 anos.

Como nem tudo é perfeito, tanta animação tem um preço. As maiores reclamações das pesquisadas dizem respeito aos muitos remédios que têm que tomar e às muitas visitas ao médico que são obrigadas a fazer. Mas, pelo visto, está valendo a pena.

Sabemos que os avanços na saúde e tecnologia estão dando novo impulso à “melhor idade”. No Brasil, as mulheres entre 50 e 70 anos representam, hoje, 15% da população feminina. Segundo o IBGE, em 2025, serão 21%!

Além da maior presença demográfica, com o tempo os aspectos positivos da maturidade se tornarão mais freqüentes na vida destas mulheres: maior poder aquisitivo, mais autoconfiança, mais tempo para si mesmas, mais disposição para consumir e para aproveitar a vida.

Por estas e por outras, a predominância, para não dizer a onipresença, das mulheres jovens nas campanhas publicitárias, terá que ceder espaço às, cada vez mais numerosas, saudáveis e cheia de projetos, mulheres acima dos 50.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Socorro! Tô de Maiô!

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Uma pesquisa feita pela marca de roupas Lends End, constatou que as mulheres americanas sofrem de mais uma síndrome: a ansiedade do maiô. Para se ter uma idéia da aflição causada por este traje tão apreciado pelas brasileiras, a pesquisa mostrou que grande parte das entrevistadas prefere ter que sentar na cadeira do dentista a ter que sentar na borda da piscina!

O constrangimento que declaram ter é de tal ordem, que elas adotam ou descartam atividades apenas pela necessidade (ou não) de usar maiô e biquini. Metade das entrevistadas simplesmente declina convites que requisitem trajes de banho. Ou seja, é melhor ficar mofando em casa do que ter que expor a realidade como ela é.

Se, por acaso, elas encararem o desafio de ir à praia, mas esquecerem o providencial shortinho em casa, boa parte provavelmente permanecerá sentada até a hora de correr para o carro, e não levantará da cadeira nem que veja a melhor amiga da infância: 45% das entrevistadas NUNCA andam na praia sem se cobrir.

O implacável julgamento feminino também não ajuda: 83% se sentem julgadas por outras mulheres quando estão usando maiôs e 60% admitem que também julgam suas pares, na mesma situação. É, parece que as americanas só estão querendo ver “curvas reais” nos anúncios da Dove.

Uma rápida voltinha em Ipanema mostra que as brasileiras não padecem do mesmo mal. Pelo menos não na mesma intensidade. Mas bem que todo mundo carrega uma canguinha linda na bolsa.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Ricas

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As mulheres estão ficando ricas. Ricas não, milionárias! Na Inglaterra, pelo menos.

O número de mulheres presentes na lista dos britânicos mais ricos, feita anualmente pelo Sunday Times, cresceu 44% em 10 anos. E as ricas estão se tornando mais ricas ainda: o patrimônio acumulado por estas mulheres aumentou em mais de 50%, de 1997 a 2007.

O prognóstico do Centro de Pesquisa para Economia e Negócios (The Centre for Economics and Business Research), é um tanto otimista: até 2020, o número de mulheres milionárias, na Grã-Bretanha, irá superar o de homens.

E, para aqueles que acham que mulher fica rica mesmo é quando casa com milionário ou quando recebe herança, uma notícia: 84% das mulheres ricas acumularam sua fortuna através de trabalho, negócios e investimentos, segundo pesquisa do instituto Economist Intelligence Unit. O instituto britânico, que faz parte do mesmo grupo da The Economist, entrevistou 600 pessoas ricas e influentes em várias partes do mundo e afirmou que apenas um quarto das mulheres entrevistadas citou o casamento como fonte de riqueza.

O mesmo relatório sugere que o aumento do número de mulheres milionárias se deve, sobretudo, ao crescimento do setor de serviços em todo o mundo, um setor em que o trabalho feminino se destaca.

Além das entrevistas com milionários, o estudo ouviu especialistas em riqueza e gênero e estudou casos de empresárias de sucesso, para comparar hábitos e trajetórias de mulheres e homens bem-sucedidos.

Ambos os sexos consideram que a formação universitária, a determinação e a independência que tiveram desde jovens, foram fundamentais para o sucesso que alcançaram. As mulheres, contudo, citam “a família estruturada” como fator importante em sua trajetória.

Quando o assunto é “torrar a grana” os hábitos também se assemelham: viagens, jantares, eventos culturais e arte. Algumas diferenças: homens gostam de participar de esportes. Mulheres, não fazem questão. E, como se pode imaginar, o relatório mostrou que mais mulheres usam lojas como forma de terapia (37%), contra apenas 12% dos homens. Ou seja, dura, meio-dura ou milionária, nada como uma roupinha nova para espantar a tristeza e para “se conhecer melhor”.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Chique é Ser Eco-Sensível!

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Ser “eco-sensivel” é (ou está) muito chique. Mas, o que é ser eco-sensível? Usar roupas de puro algodão orgânico, é. Comprar produtos de beleza feitos à base de cera de abelhas, também é. Decorar a casa com poltronas de designers que trabalham com madeira certificada, é muito. Pagar cinco vezes mais pelo preço de cada um destes produtos em relação às suas versões “normais”, então, é realmente super-extra-ultra-chique. Consumir com consciência. Consumir em tons verdes. “Consumir simples”. Mas… consumir!

Matéria publicada ontem pelo The New York Times, aponta para a tendência das escolhas de consumo cheias de grifes e de estilo, cercadas de uma “consciência ambiental” que mais parece estar a serviço da neutralização da culpa de quem compra.

Segundo a matéria, “cerca de 35 milhões de americanos compram regularmente produtos comercializados como ecológicos”. Este é o consumismo verde. O que vai sendo esquecido, e a matéria cumpre o papel de lembrar, é a noção de que o que está levando o planeta para o buraco é justamente o consumo excessivo. Seja ele verde, azul ou amarelo. A matéria enfatiza: “a solução genuína, segundo críticos, é reduzir significativamente o consumo de bens e recursos. Não basta construir uma casa de férias com madeira reciclada. A maneira real de reduzir as emissões de carbono é ter apenas uma casa”. Mas quem, em situação financeira confortável, cheio de cartões de crédito esperando para pular da carteira, dá conta desta privação?

E, se o consumo de luxo é inevitável (ainda bem, dirá o mercado), o negócio é reinventá-lo! O luxo agora está associado ao significado, à emoção, à conexão a alguma causa. Luxo é ajudar os países pobres? Surge um novo tipo de viagem de luxo, a “viagem filantrópica”, que leva os abonados turistas aos lugares mais distantes do planeta, hospeda-os em resorts ultra-requintados, oferece a eles os mimos mais exclusivos, e o viajante, na saída, ajuda a construir escolas na vila mais próxima! Luxo é o consumo sustentável? Surge, nas empresas de ponta, um novo e prestigioso cargo, o CSO (Chief Susteinability Officer) que é responsável por criar uma oferta de produtos e serviços irresistíveis aos mais exigentes consumidores “verdes” (A DuPont já tem o seu). Luxo é ser simples? Aumenta a oferta de produtos que remetem à simplicidade, mas que custem caro!

As mulheres, já dissemos aqui, são bem mais propensas ao consumo consciente. E como também são bem mais propensas à culpa (sua companheira inseparável desde a revolução feminista), bingo!: “luxo redefinido” funciona!

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Tinto ou Branco?

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O jovem e chique casal acaba de sentar-se à mesa de um restaurante tradicional e elegante. Coisa fina, mesmo. Felizes e apaixonados, resolveram comemorar a data especial em um de seus locais favoritos. Num balé bem ensaiado, o serviço cinco estrelas se faz presente, e vai cumprindo todas as etapas, com primor.

Chega a carta de vinhos. Evidentemente, ela é entregue ao homem. Com muita elegância, ele a apanha e entrega-a à mulher que, sorrindo, dá início ao seu momento favorito: escolher o inesquecível vinho que irão beber.

O sommelier experiente, que já viu de tudo nesta vida, leva um tempo para processar a cena e, quando o faz, não consegue evitar um pensamento: “humm… este cara aí… não sei, não…” Agora, por que as pessoas acham que é o homem quem tem que escolher o vinho, só o deus Bacco sabe.

Matéria da Business Week, publicada semana passada, não deixa dúvidas sobre o equívoco que comete quem, mesmo secretamente, acha que mulher não entende deste riscado: no mercado americano, 60% dos vinhos são comprados por mulheres. Nas degustações, elas superam o número de participantes masculinos. Por aqui não é diferente: pesquisa feita pela Diageo mostra que 65% dos consumidores de vinho no Brasil são mulheres. Segundo a Federação Brasileira de Confrarias, já existem 40 grupos femininos espalhados pelo país.

Na produção, a participação delas também vem crescendo: nos Estados Unidos, já representam 10% dos produtores de vinhos (eram 1% há dez anos!). Na brasileira Salton, a maior vinícola de capital nacional, elas são maioria. Dos seis profissionais que atuam no laboratório de controle de qualidade, quatro são mulheres.

Sabemos que as mulheres têm o olfato e o paladar mais aguçados do que os homens. Segundo o site Vinhos.net, testes feitos com ressonância magnética comprovaram que as mulheres usam o cérebro com até oito vezes mais intensidade do que eles, quando se dedicam a tarefas de cheirar e degustar.

As cartas de vinhos, no entanto, continuam a ser entregues aos homens. Mulheres não entendem de vinhos. Mulheres não entendem de carros. Mulheres não entendem de investimentos financeiros. A visão sobre as mulheres segue pautada por opiniões antigas. Mas não elas, que não param de se atualizar e de se lançar a novas aventuras.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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