Arquivo de Agosto de 2007

Métodos

Método é tudo nesta vida. Somos constantemente apresentados aos mais diversos programas pragmáticos para toda e qualquer conquista que almejamos, ou que, mesmo que nem saibamos, ainda iremos almejar: como viver até os 150 anos, como ter corpo e pele de adolescente depois dos 40, como gostar de si mesma para que os outros também gostem, como fazer seu gato enlouquecer na cama, como transformar seu filho no novo Bill Gates, e por aí vai. Receitas e mais receitas para o sucesso, a beleza, a completude. Tudo ao alcance de nossas ativas mãozinhas. Só não chega “lá” quem não quiser.

No quesito “método educacional aplicado a rotinas atabalhoadas”, a receita valiosa vem de João Dória, em entrevista à revista Veja desta semana:

“Tenho o hábito de estabelecer um tema por dia para conversar com eles (filhos) a caminho da escola. O tema do diálogo que teremos. ‘Respeito aos mais velhos’ foi o tema de hoje. Cada dia escolho um tópico e às vezes repito um que já usei, porque isso, você sabe, é dinâmica de ensino. Vou marcando os teminhas num caderno para retomar um pouco mais adiante”.

Incrível. Muito eficiente. Sem contar que o método pode ser aplicado também a amizades e casamentos. Um bom planejamento e nunca mais um assunto importante deixará de ser abordado. Ninguém mais vai poder reclamar “a gente nunca conversa sobre…”. Uai, você não participou da reunião de pauta deste mês?

Tentei aplicar a técnica mentalmente. Imaginei-me no carro, levando minha filha para a escola.

- Hoje falaremos sobre a importância de cuidar do meio-ambiente. Pense na água que você bebe…
- Mamãe, todo adulto namora? Você vai ter um namorado?
- Minha filha, esta questão não se refere ao assunto que estamos abordando hoje. Por favor, guarde-a para sexta-feira, quando falaremos sobre ‘relacionamentos alternativos em famílias reestruturadas’.
- Mas mamãe…
- Preste atenção, filhinha. Você precisa perceber a importância de manter o foco nas coisas. Aliás, falaremos sobre ‘capacidade de concentração na sociedade da informação’ nesta quinta. Utilizarei esta situação como exemplo, inclusive, deixe-me anotar.

É de uma objetividade invejável. Não sei, porém, se as mulheres estão preparadas para tanto “direcionamento”. Como sabemos, elas são um pouco mais caóticas do que isto. A ciência diz que o coquetel de hormônios que constantemente chacoalha o organismo da mulher, é também responsável pela propensão feminina de mergulhar em múltiplos pensamentos ao mesmo tempo.

Já viu duas mulheres conversando? Uma está contando sobre o encontro que teve, de repente lembra de falar que tem uma babá para indicar, aí conversam um pouco sobre o trabalho da outra, aí continuam a história do encontro, aí falam sobre a amiga que foi viajar pra Istambul, aí… Não haveria caderno, nem tinta de caneta, nem método algum que desse conta! Ainda bem.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Rosa Forever…

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As meninas preferem a cor rosa e esta preferência pode ser explicada biologicamente. É a conclusão a que chegou um estudo conduzido por pesquisadores da Newcastle University.

A metodologia utilizada foi simples: homens e mulheres, entre 20 e 26 anos, olharam para pares de retângulos coloridos e foram solicitados a, rapidamente, escolher sua cor preferida. O resultado: mulheres tendem a escolher o rosa. E o estudo diz que isso pode ser genético.

Pára tudo! Só um minuto! Vamos voltar um pouquinho. 20 a 26 anos atrás. Você está chegando da maternidade no colo da sua mãe. Sua mãe está totalmente ansiosa para te mostrar o seu novo quarto. A esta altura, você já está com o figurino que te acompanhará pelos próximos 3 ou 4 anos: calça rosa, blusa rosa, meia rosa e um laçarote rosa na cabeça (preso por um adesivo absurdo, já que nem cabelo você tem).

Sua mãe espera por este momento há nove meses. Escolheu cada minúsculo detalhe daquele quarto. Mandou pintar cinco vezes a parede, até chegar à cor exata que sonhou para você. Ela, agora, entra no quarto-querido e você… se sente mergulhando em uma caneca gigante de milkshake de morango.

É então que ela olha para você e pergunta, com a voz embargada: “gostou do seu quartinho, meu amor?” O que você vai dizer? “Não, mamãe”? “Preferia que fosse de outra cor”? Imagine! E se o leite dela seca de desgosto? E é assim que você começa a gostar do rosa.

Conheço uma menininha que nunca teve o menor constrangimento em proclamar “eu odeio rosa”. Um dia, quando ela tinha uns 5 anos, entrou numa loja infantil, cuja nova coleção de roupas (novidade!) tinha o rosa como cor predominante e disparou: “se eu pudesse, tocaria fogo neste lugar!”.

Mas ela é uma exceção. As meninas passam a vida ganhando ursinhos rosa, roupinhas rosa, fivelinhas rosa. E aprendem que o rosa é feminino, romântico e mágico como o reino das princesas. Onde tudo sempre dá certo.

Aí você chega aos 20-26 e é chamado por uns cientistas malucos para participar de um teste pirado. “Nossa! Que surpreendente! Ela escolheu a cor rosa”. E ainda acham explicação, mais uma vez, na evolução da espécie: “no passado, as mulheres precisavam distinguir frutos rosa-avermelhados nas árvores para alimentar a prole.” Bom, mas então como é que as bananas, as laranjas e os limões sobreviveram?

De qualquer forma, o importante é que as meninas crescem e, mais cedo ou mais tarde, se libertam do rosa. Mais pragmáticas, passam a adotar a cor preferida da estação, que dá mais certo. Afinal, os príncipes de hoje em dia também acompanham os editoriais de moda e, sabe como é: com rosa ou sem rosa, príncipe é príncipe!

E pesquisa é pesquisa! Uma ferramenta essencial ao nosso trabalho. Mas também, se usada sem cautela, um caminho curto para todo tipo de conclusões esdrúxulas.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Evolution

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Este é o famoso filme Evolution da Dove, ao qual se refere matéria de domingo, publicada no Suplemento Feminino, do jornal O Estado de São Paulo.

Leia mais em Evolution em Evolução.

Dove - Evolution

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Chique é Ser Eco-Sensível!

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Ser “eco-sensivel” é (ou está) muito chique. Mas, o que é ser eco-sensível? Usar roupas de puro algodão orgânico, é. Comprar produtos de beleza feitos à base de cera de abelhas, também é. Decorar a casa com poltronas de designers que trabalham com madeira certificada, é muito. Pagar cinco vezes mais pelo preço de cada um destes produtos em relação às suas versões “normais”, então, é realmente super-extra-ultra-chique. Consumir com consciência. Consumir em tons verdes. “Consumir simples”. Mas… consumir!

Matéria publicada recentemente pelo The New York Times, aponta para a tendência das escolhas de consumo cheias de grifes e de estilo, cercadas de uma “consciência ambiental” que mais parece estar a serviço da neutralização da culpa de quem compra.

Segundo a matéria, “cerca de 35 milhões de americanos compram regularmente produtos comercializados como ecológicos”. Este é o consumismo verde. O que vai sendo esquecido, e a matéria cumpre o papel de lembrar, é a noção de que o que está levando o planeta para o buraco é justamente o consumo excessivo. Seja ele verde, azul ou amarelo. A matéria enfatiza: “a solução genuína, segundo críticos, é reduzir significativamente o consumo de bens e recursos. Não basta construir uma casa de férias com madeira reciclada. A maneira real de reduzir as emissões de carbono é ter apenas uma casa”. Mas quem, em situação financeira confortável, cheio de cartões de crédito esperando para pular da carteira, dá conta desta privação?

E, se o consumo de luxo é inevitável (ainda bem, dirá o mercado), o negócio é reinventá-lo! O luxo agora está associado ao significado, à emoção, à conexão a alguma causa. Luxo é ajudar os países pobres? Surge um novo tipo de viagem de luxo, a “viagem filantrópica”, que leva os abonados turistas aos lugares mais distantes do planeta, hospeda-os em resorts ultra-requintados, oferece a eles os mimos mais exclusivos, e o viajante, na saída, ajuda a construir escolas na vila mais próxima! Luxo é o consumo sustentável? Surge, nas empresas de ponta, um novo e prestigioso cargo, o CSO (Chief Susteinability Officer) que é responsável por criar uma oferta de produtos e serviços irresistíveis aos mais exigentes consumidores “verdes” (A DuPont já tem o seu). Luxo é ser simples? Aumenta a oferta de produtos que remetem à simplicidade, mas que custem caro!

As mulheres, já dissemos aqui, são bem mais propensas ao consumo consciente. E como também são bem mais propensas à culpa (sua companheira inseparável desde a revolução feminista), bingo!: “luxo redefinido” funciona!

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Lembranças e Lembrancinhas

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Alguém se lembra de como eram as festinhas de crianças na era pré-buffet? Aquelas, em casa mesmo, em que os adultos ficavam conversando na sala, enquanto as crianças “se acabavam” de brincar por todos os cantos? Sozinhas ou entre si, sem monitores gritalhões uniformizados e sem roteiros de brincadeiras pré-estabelecidos. Nada de trens que passeiam pelo teto, helicópteros suspensos ou filas para entrar em geringonças à la Disneyworld.

Ninguém perguntava seu nome quando você chegava, os presentes eram entregues ao próprio aniversariante e não existiam pantufinhas especiais para proteger os pés brincalhões.

Para comer, salgadinhos da vovó, sanduichinhos de pão Pullman cortadinhos em quatro, brigadeiros, meio amassadinhos, que a própria criança aniversariante ajudara a enrolar.

Na hora do parabéns, não havia um jingle especial para reunir os convidados. Alguém berrava para chamar todo mundo e um tio desavisado, lá no canto, recebia a ordem: “apaga a luz!”. E a lembrancinha? Quando tinha, era uma “lembrancinha” mesmo, com a qual os mini-convidados se deliciariam por um bom tempo. Às vezes, tinha um teatrinho de fantoches, mas nada que se assemelhe às mega-produções que vemos hoje em dia.

Pois é, mudou. A lógica da conveniência, da terceirização, das especialidades, fez com que toda uma indústria se formasse. Certo, todos trabalhamos feito condenados, não temos mais tempo para organizar festinhas, e, além disto, as avós de nossos filhos estão cheias de atividades, no auge da sua “melhor idade”, e têm mais o que fazer do que ficar batendo bolo.

Mas, isto não é tudo. Quando surge uma nova categoria de serviço, ela precisa se atualizar, surpreender e encantar o cliente. Por isto, the show must go on. A lembrancinha da semana passada já não deixa mais a criança boquiaberta. O teatrinho precisa incorporar novas referências da TV. O bolo precisa, cada vez mais, reproduzir os personagens à perfeição. Afinal, a festa custou 5 mil reais aos pais!

Normal. Sociedade de consumo é isso. Novos produtos e serviços não cessam de surgir e nossos padrões de exigência não param de se elevar. E, no afã de satisfazer nossos filhos, queremos oferecer tudo o que há de mais moderno e elaborado.

Mas não eram as crianças que conseguiam transformar um simples galhinho em uma espada de príncipe, com a qual brincavam por horas? Ou que pegavam um pano velho, que, puxa daqui, puxa dali, virava um vestido de fada? Qual o espaço para a imaginação num mundo em que tudo vem pronto? Poderíamos discutir os valores contemporâneos de educação, a dificuldade de impor limites, a culpa por trabalhar demais ou mesmo a ansiedade de consumo dos próprios pais. Mas vamos deixar isto para o blog da Rosely Sayão que, aliás, é imperdível.

De nosso lado, notamos que existe um universo de pais e mães que, embora tenham, sim, o tempo muito escasso e sejam potenciais clientes de serviços facilitadores, se interessam pelo resgate de uma “infância mais infantil”.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Mamãe, Eu Quero!

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Adolescentes insatisfeitas com seu corpo, existem por todos os lados. Sempre existiram. É o dente, que é muito torto; o joelho, que é esquisito; os seios, que são muito pequenos ou muito grandes. Tudo parece ser problema, nesta fase da vida em que auto-estima é coisa rara.

Num mundo, no entanto, onde a beleza se tornou uma mercadoria a ser consumida, a adolescente não precisa mais esperar o lento processo de superação da típica crise da idade e, muito menos, aprender a conviver com suas características físicas indesejadas. Bombardeada por mensagens que a ensinam que, se não obedecer ao estreito padrão de beleza contemporâneo, ela não será ninguém, provavelmente reflete: por que sofrer, se posso comprar o nariz que desejo, se posso ter o peito igual ao da atriz da novela? E, ainda, pagar em prestações?

E é assim que meninas, menores de 18 anos, vêm aderindo, cada vez mais, à “magia” da cirurgia plástica.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de adolescentes que colocam prótese aumentou 300% nos últimos 10 anos. No Brasil, cerca de 650 mil intervenções foram realizadas em 2005, 15% em jovens de 14 a 18 anos (nos EUA, este índice não passa de 7%). Um percurso assustador para o qual, curiosamente, contam com o apoio de suas mães.

Uma matéria exibida, recentemente, no Fantástico, e disponível no site do programa, sobre a obsessão pela beleza, trazia o exemplo de uma menina, muito bonita aliás, que recorreu à cirurgia para implante de silicone, porque assim, e só assim, ela seria feliz. A mãe apoiou. O pai, resistente e omisso, acatou. A repórter acompanhou a operação. Um belo produto midiático, cujo final, ao menos o apresentado pela reportagem, pareceu feliz.

Outro caso, este disponível no site da Revista Claudia, fala de uma garota de Brasília que, aos 16 anos, já “possui” uma prótese mamária, lipo abdominal, lipo no culote e Botox no rosto. A mãe da menina se gaba: “enfrentei a resistência do meu marido e do namorado dela. Também deixei de fazer intervenções em mim para investir num corpo perfeito para minha filha, livrando-a da timidez e do complexo que tinha”.

Que a mídia é implacável na disseminação da estética perfeita, sabemos. Que as meninas novas são cada vez mais estimuladas a associar identidade a aparência física, sabemos. Mas, que as mães passem a legitimar esta busca como algo de que não se pode fugir, é mesmo um triste sinal dos tempos.

Este cenário ajuda a entender o sucesso da comunicação de marcas como Dove, que associam sua imagem ao que todos sabem ser o que é certo dizer a estas meninas.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Pesquisa no Salão. Por que não?

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Salão de beleza é realmente um ambiente insólito. Há uma espécie de alegria excessiva no ar, um contentamento, uma excitação um pouco histérica, que faz das revistas de celebridades, sempre cuidadosamente espalhadas por todos os lados, uma literatura quase sóbria.

Mulheres em cenas constrangedoras abundam pelo espaço. Algumas têm seus cabelos repuxados para cima, lambuzados de tinta, envoltos em camadas de papel-alumínio, como se estivessem prestes a ser assadas no forno. Outras estão ali desde anteontem, fazendo apliques, alisamentos, escovas progressivas, numa prova de resistência que deixaria para trás qualquer treinamento do exército americano. Há aquelas que se encontram afundadas em poltronas, com as cutículas a ser escarafunchadas pela manicure, que encara aquele pé como se fosse o último. Sem falar nas sessões de depilação, que, graças aos santos, são feitas em salinhas protegidas, poupando os olhos da platéia do mais deprimente dos espetáculos.

Existe uma linguagem, corporal e verbal, própria dos salões de beleza. A corporal, fica bem representada pela prática de “falar fitando-se no espelho”, mesmo que sua interlocutora esteja ao seu lado. Como o que interessa ali é cuidar da aparência, existe uma espécie de autorização implícita para que se ignore certas convenções sociais do mundo “real”. O que interessa mesmo é ver como pareço enquanto falo. Devo abrir mais a boca, inclinar mais a cabeça para o lado, intensificar o movimento das mãos?

A linguagem verbal, então, é profusa em espeficidades… Quase um dialeto, cujo domínio absoluto pertence aos profissionais que trabalham ali. Por exemplo, na minha última “pesquisa” assisti a uma cena rica neste sentido. Uma moça, andando a passos largos e decididos, se aproximou do maquiador e disse: “quero um make basiquééérrrimo!” Imaginamos, e o maquiador provavelmente tem certeza, de que este termo está sendo empregado numa inédita e peculiar relação entre significante e significado. O pobre do maquiador deve apreender que, na verdade, o que ela está solicitando é um trabalho meticuloso que a deixe “linda de nascença” e que ela quer, mesmo é, à noite, na festa, parecer que esteve a tarde toda relaxando em casa, e jamais que ficou 8 horas enfurnada num salão.

Falando em profissionais, inclusive, acho que as manicures deveriam ser imediatamente contratadas pelas agências de propaganda para participar das reuniões de briefing de campanhas voltadas à mulher. Como ninguém, elas conhecem os pesadelos e os sonhos, possíveis e impossíveis, da mulherada. E ficam ali, impávidas, ouvindo tudo com um sorrisinho nos lábios. Esta sabedoria precisa ser aproveitada com urgência!

Salões de beleza podem ser campo para pesquisas produtivas. E pode até ser pesquisa quantitativa, pois, para quem não sabe, em São Paulo, existem mais salões de beleza (50 mil) do que táxis (30 mil) e bares e restaurantes (38 mil). E, se precisar de entrevista de retorno, tudo bem também. Segundo o Sindicato dos Institutos de Beleza e Cabeleireiros, as mulheres, além de serem super-fiéis aos seus cabeleireiros, freqüentam os salões, em média, duas vezes por semana. Toda semana! Esqueça a sala de espelho e planeje sua pesquisa no salão.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Help!!!

Aconteceu com uma amiga. Vida real. Ela tinha um importante compromisso de trabalho na manhã de uma certa segunda-feira. Uma certa segunda-feira em que - a vida é assim - a babá pedira para faltar. Um certa segunda-feira simplezinha: férias, chuva, filhas pequenas enfurnadas em casa, uma delas com febre e dor de ouvido. A vizinha? Viajando. A avó? Vai a uma consulta, marcada desde o final de 2006! A cozinheira? Da última vez que deixou as duas com ela por alguns minutos, ouviu-a falando para a menor “- pronto, agora sai do forno e larga a faca, bonequinha!”.

Dilema instalado. Desmarcar a reunião com o cliente que está vindo de outro estado? Impossível. Pedir para a assistente se virar? Melhor não. Se jogar pela janela? Pode ser.

Como quando se usa um sapato levemente apertado no dedinho, o incômodo a acompanhou durante todo o final de semana. O marido, percebendo a neblina de angústia que envolvia minha pobre amiga mãe-empresária que, a esta altura, já questionava todas as suas opções de vida feitas nos últimos 36 anos, quis saber a razão daquela aflição.

Depois do desabafo (a tempestade), vem a solução (a bonança):

- Eu fico com elas!

- Ah? Como assim? Você? Onde estou? Quem sou eu?

O marido, alto-executivo de uma grande empresa, resolveu tudo em menos de 30 segundos. Checou a agenda da segunda, avaliou que todos os compromissos da manhã poderiam ser realocados, mandou um e-mail para a secretária e… pronto! Tudo resolvido. Agora, a explicação para o fato de minha amiga, que chegou a pensar em pedir ajuda ao porteiro, não ter sequer cogitado esta possibilidade, só anos e anos de uma sociedade predominantemente machista explicam.

Mas, uma coisa é certa: este casamento tem futuro! Segundo pesquisa realizada pela Pew Research, em que foram avaliados os fatores que, na opinião dos entrevistados, fazem um casamento funcionar, a “divisão das tarefas domésticas” aparece em terceiro lugar, atrás apenas da “fidelidade” e de uma “vida sexual feliz”. A cooperação nas atividades do lar, segundo a pesquisa, é mais importante do que “ganhos adequados”, “interesses em comum”, “mesmas crenças religiosas e políticas” e até “crianças”. E tem mais: foi o item que mais cresceu, em comparação à mesma pesquisa, feita em 1990, passando de 47% para 62%.

Resumo: “tudo bem não gostar dos mesmos filmes e das mesmas músicas. Tudo bem votar em outro candidato e adorar outro deus. Tudo bem até, se for preciso, viver mais modestamente. Mas, se não quiser o divórcio, faça a gentileza de não me deixar aqui com esta pilha de pratos!”

O arraigado hábito de tentar dar conta de tudo sozinha, no entanto, parece ainda acompanhar as mulheres, mesmo depois de tanta evolução. Neste sentido, elas próprias acabam alimentando a desigualdade. No caso da minha amiga, e levando em conta a pesquisa citada, o marido parece estar mais preparado do que ela para construir um casamento feliz.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Sai pra lá com este Babadinho!

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Matéria recente publicada na revista Der Spiegel, aborda um equívoco ainda comum entre marcas que pretendem atingir o público feminino. Algo como: “quer atrair a mulher consumidora? Coloca umas florzinhas no anúncio, pinta a embalagem de rosa, põe a foto de um neném loirinho em algum canto. Ah, e vê se não esquece o batom de brinde!”

A revista relata a iniciativa do fundo de investimento alemão VMR, que, ao identificar a oportunidade junto ao mercado feminino (sim, elas têm dinheiro para investir), resolveu criar um produto especial para atraí-las. O portfólio foi composto com cuidado: um pouco de moda (ações da Escada e da Dior), um pouco de beleza (ações da L’Oreal) e… um pouco de fraldas (ações P&G). O resultado? Um fiasco. Mas, alguém realmente achou que uma pessoa sã iria usar esse tipo de critério para escolher onde investir seu dinheiro? Pois é, achou.

Parece um tanto caricato. Mas, em nossa visita ao último Salão do Automóvel de São Paulo, que aconteceu em outubro do ano passado, chegamos a conclusão semelhante. Uma das notícias, que repercurtiu durante a feira, foi justamente sobre as inúmeras iniciativas das montadoras para atrair o público feminino. Atentas ao crescente poder de decisão das mulheres no segmento (51% dos carros vendidos pela VW em 2006, foram comprados por mulheres), as empresas resolveram investir em ações promocionais para elas. Um panorama do que se viu: Citröen: maquiagem; Renault: maquiagem; Ford: moda; VW (o mais legal, pelo conjunto da obra): moda e maquiagem. Nada contra, apenas um pouco limitado. Sem contar que as moças seminuas sendo exibidas ao lado dos carros, evidentemente, estavam lá. Mas, também, seria querer demais…

As mulheres, certamente, sentem, pensam e decidem de forma diferente dos homens, e é desejável que tais diferenças sejam compreendidas. E, neste processo de conhecimento, quem se debruçar sobre o tema irá rapidamente perceber que suas necessidades e desejos vão muito além do que aumentar sua coleção de batons.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Barbie Eterna

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Artigo publicado há alguns meses na revista Mente e Cérebro comenta pesquisa realizada pelo psicólogo americano Albert Magro, da Universidade Fairmont, Virginia do Oeste, na qual o pesquisador buscou reconhecer e decifrar a beleza ideal.

Magro mostrou a 495 indivíduos fotos e ilustrações de pessoas com diversas características físicas, e detectou quais foram os aspectos mais valorizados e os mais detestados.

A pesquisa comprovou o que, no fundo, todos já sabemos: para os homens, bonita mesmo é a Barbie. A união de todos os atributos valorizados pelos pesquisados reproduz “em cheio” a aparência da sonsa bonequinha: jovem, loira, lábios rosados e carnudos, pele lisinha, cintura fina, quadril arredondado, olhos grandes. Ninguém falou sobre ela estar sempre quietinha, nunca reclamar de nada e ainda dormir e acordar com um leve sorrisinho nos lábios. Mas imagino que eles gostem disto também.

Já as características mais detestadas correspondem às dos nossos antepassados primitivos e às de alguns macacos modernos. Traços físicos que nossa espécie abandonou, conforme evoluiu. Ou seja, precisamos perpetuar as características mais evoluídas ou, caso contrário, voltaremos a ser macacos!

Desejar barbies é garantir a evolução da espécie. Psicólogos evolucionistas explicam que as mulheres dotadas de qualidades tidas como belas, são identificadas como portadoras de bons genes e, por isto, os homens querem unir-se a elas, assegurando boas possibilidades de reprodução e sobrevivência da espécie. Jovem, corpo de violão, rosto simétrico, cabelos sedosos, pele lisa e firme, representam a equação perfeita: fertilidade + bom patrimônio genético + bom sistema imunológico = bons bebês.

Aliás, até os bebês concordam com isto. Uma pesquisa inglesa, feita com 100 meninos recém-nascidos, apresentava a eles duas fotos, uma de uma mulher muito bonita, a outra de uma mulher comum. O olhar dos bebezinhos voltaram-se quatro vezes mais para a mulher bonita. Ou seja, estamos biologicamente programados para as nossas escolhas futuras.

Podemos pensar, então, que todo o arsenal pós-moderno de clínicas, produtos e tratamentos, à disposição da construção da beleza ideal, assim como as mulheres que os buscam incansavelmente, estão a serviço da evolução da espécie.

Fica, também, mais fácil entender por que a mídia e a publicidade, com tão poucas exceções, não se cansam de propagar a beleza à la Barbie. Imaginem, no futuro, serem acusadas de reponsáveis pelo nascimento de bebês-macaquinhos?

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Novas Famílias

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Sabe aquele comercial de margarina (papai + mamãe + dois filhos contentinhos), que crescemos vendo nos breaks televisivos? Aquele, que de tão freqüente e repetitivo, passou a ser usado como uma expressão: “família de comercial de margarina”? A mesma família “modelo-de-felicidade” que vemos, a todo tempo, nos comerciais de bancos, cartões de crédito, produtos de limpeza e tantos outros? Pois é, ainda faz todo sentido, sim. Segundo o IBGE, metade das famílias brasileras são compostas por pai, mãe e filhos. Mas, e a outra metade?

Sabe-se, também segundo o IBGE, que as famílias formadas apenas por mães e filhos já representam 18% do total das famílias brasileiras. Sabe-se, também, que o número de divórcios no Brasil cresceu 46% em 10 anos (de 1993 a 2003). E que, só em 2005, o aumento foi de 15,5% em relação ao ano anterior.

Intolerância às diferenças, síndrome de novidade, pouca disposição para construir relações duradouras num mundo que tanto prega a renovação? Traços que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman analisa em seu livro “Amor Líquido” e que não vem ao caso comentar aqui.

O fato é que as famílias estão em transformação. Os modelos tradicionais se abrem, mais e mais, às novas configurações, que geram novos comportamentos, que geram novas demandas.

As mesmas pessoas, em novas situações. Mães que vivem sozinhas com seus filhos, amaldiçoarão cada lâmpada queimada. Homens que acolhem seus filhos em suas novas casas, finalmente perceberão que lençóis limpos não se reproduzem no armário.

Interessante será se pudermos ver, com mais freqüência, as famílias e, sobretudo as mulheres, retratadas na publicidade de formas menos convencionais.

Nos Estados Unidos, algumas empresas já começam a buscar uma aproximação a esta nova realidade. Um recente comercial da rede de lojas Century 21, mostra a clássica cena em que uma família muda-se para a nova casa. A criança brinca por entre as caixas. A mãe direciona os profissionais da mudança. E o pai… não está.

Um outro exemplo é o comercial do Freestyle SUV, da Ford, veiculado no ano passado. Nele, uma família volta de um dia de passeio. A mãe está à direção. O pai é deixado à porta de sua casa e agradece à ex-mulher por tê-lo convidado para o gostoso dia que acabaram de passar juntos. Veja abaixo.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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O que? Você não reparou?

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Há alguns dias, uma amiga relatou a seguinte conversa que teve com seu marido:

Ele - Ótimo aquele posto de gasolina que abriu ali na rua de baixo. Lavam o carro. O preço é justo. Tem lojinha de conveniência, com café expresso. Beleza!

Silêncio.

Ele (diante da expressão de estranhamento dela) - Por que está me olhando assim? Você não achou?

Ela - Você está falando do posto que abriu ali na rua de baixo? Lojinha ótima? Não achei, não. A porta estava suja. O moço que me atendeu, mal-humorado. A música, alta demais. Tinha um cheiro esquisito, que nem consegui identificar do que era. A água, que entrei para comprar, não pude alcançar porque estava numa prateleira muito alta. Eu, hein! Deixei pra lá e fui embora. Não gostei.

O marido, já acostumado com tanta sensibilidade, suspira e muda de assunto.

Poderíamos pensar que a riqueza de detalhes (ou de reclamações, no caso) é, para usar um termo suave, frescura. Mas, não é. Ou, pelo menos, é uma frescura que pode ser explicada biologicamente.

Estudos científicos mostram que as diferenças biológicas entre os sexos atingem também a percepção extra-sensorial. Dado o mesmo nível de estímulo, a resposta feminina é muito mais sensível, no que diz respeito à audição, olfato, paladar e tato. No caso da visão, enquanto os homens são mais precisos e focados, as mulheres têm melhor visão periférica.

Explicação para todos aqueles detalhes que ela reparou na decoração daquela festa a que foram e que ele… imagina! Explicação também para o fato de ele sempre achar, antes, o dvd que estão procurando na locadora. Quanta complementaridade! E, também, quanta discussão!

Para as empresas, fica a mensagem de como os detalhes são importantes para encantar a mulher, por exemplo, num ambiente de compra. Cheiros, sons, expressões, cores e texturas. Para ela, tudo importa.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Conflitos Revistos

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A Revista Claudia tem um slogan. Está lá, impresso na lombada da revista, edição após edição e, como tal, deve sintetizar o posicionamento da publicação. Afinal, slogans servem para isso. A frase é: “Independente, sem deixar de ser mulher”.

Muito me engano ou há algo de estranho nesse comando.

A sugestão é que independência e feminilidade podem ser integradas. Que, para ser uma coisa, não é preciso abrir mão da outra. A frase funciona como uma espécie de autorização para que, enfim, nos libertemos da associação “independente=masculino” e “feminino=dependente”. Mas, alguém ainda duvida disto?

Se esta frase fosse uma cena, se passaria no final da década de 70. Seria protagonizada por duas mulheres. Uma dona-de-casa, angelical, cordata, boa mãe, bem “feminina”. E uma executiva de coque, terninho Armani, mandona, talvez meio solitária, bem “independente”. As duas diriam desaforos, uma para a outra, do tipo:

“ - Você é uma banana! Só fica aí se preocupando com o cardápio do jantar. Só se interessa por fraldas e toalhinhas de lavabo. Não toma nenhuma decisão importante. E ainda acha graça em ganhar um beijinho na testa antes de dormir!”

“ - E você? Que nem na testa ganha beijinho? Os homens têm medo de você! De que adianta ganhar seu próprio dinheiro e ser livre? Vai ficar aí, falando grosso até não ter mais idade para ter marido e filhos.”

Podemos pensar que este conflito não se esgotou no século XX. Alguns elementos desta briga ainda existem. Não mais entre duas pessoas (ou grupos) convictas de suas opções de vida. É pior. Trata-se de uma discussão interna, quase esquizofrênica, da mulher com todos os seus próprios desejos. De qualquer forma, acredito que os muitos conflitos da mulher atual, e são muitos, não passem pela insegurança de temer não poder ser independente e feminina ao mesmo tempo.

Também podemos pensar que ser independente financeiramente virou quase uma obrigação para as mulheres. E que, hoje, a mulher que resolve deixar de trabalhar para cuidar dos filhos e da casa, é vista com uma pontinha de estranhamento. Tem que trabalhar, tem que ser bem-sucedida, tem que ganhar dinheiro. Como mostra a filósofa inglesa Alison Wolf, não deixa de ser um modelo opressor ao contrário.

Mas, mesmo considerando tudo isto, e, evidentemente, há muito mais a considerar, ninguém mais acha que ser “independente” poderia, remotamente, impedir a mulher de ser “mulher”, a ponto de isto precisar ser dito, todo mês, pela maior revista feminina do país.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Vai Levar um “Bem-Estar” Hoje?

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Uma pesquisa feita pela empresa de consultoria americana Ketchum, com mulheres de 25 a 54 anos, concluiu que sucesso, para elas, é um conceito fortemente associado a bem-estar.

No entanto, menos da metade das entrevistadas considera que dedica suficiente esforço na busca de uma vida mais abundante em “wellness”. Mas, bem que elas tentam. Declaram se interessar muito pelo assunto: lêem bastante a respeito (69%) e sempre encontram tempo para fazer pesquisas sobre saúde e nutrição (71%), por exemplo. Só ainda não chegaram lá.

Ainda bem, já que podemos pensar que é justamente neste hiato (a vida saudável que querem ter x o que conseguem fazer a respeito) que está o celeiro do consumo de “bem-estar”. Até porque, se um dia elas finalmente chegarem ao Nirvana, a última coisa que irão desejar (iluminado que se preze não deseja…) é praticar ioga com modelitos da Stella McCartney.

Por enquanto, o consumo associado a bem-estar, equilíbrio entre corpo e mente, saúde, qualidade de vida e afins, segue em aceleração contínua.

A indústria de wellness é um dos setores que mais cresce na economia mundial. O valor que movimenta (a previsão é que chegue a US$ 1 trilhão até 2010), em breve será páreo para o faturamento das indústrias de automóveis, computadores e medicamentos.

Em supermercados, as seções de produtos orgânicos ganham mais e mais espaço (em 2007, as vendas destes produtos devem crescer 25% em relação a 2006, segundo estimativa da Abras). Academias incorporam pilates, ioga, alongamento e consciência corporal a seus portfólios de modalidades. Sem falar nas novas mega-academias (“espaços”, para usar o termo da moda), quase totalmente voltadas a estas práticas, como o badalado Nirvana, no Rio e o Levitas, em São Paulo.

Alternativa Saúde, do GNT, é uma dos programas mais longevos da TV por assinatura. Clínicas de massagens, spas urbanos, restaurantes naturais, terapias alternativas. Tudo para o “bem”. E há também o crescimento do consumo dos remedinhos tarja preta – as pílulas da felicidade - para aqueles que têm menos tempo e paciência para o processo de “aquisição” de bem-estar.

Quem “bem está bem” nesta foto é a Natura que, há anos, incorporou este conceito ao posicionamento de sua marca, e o comunica com a maior consistência desde então.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Enquanto isso… aquilo.

Tempo, tempo, tempo, tempo – diz Caetano.
Curto, curto, curto, curto – complemento.

O dia voa. A semana voa. O ano está voando. Nenhuma novidade. E as tarefas a serem cumpridas só fazem crescer.

De todos os lados, as pesquisas mostram que as mulheres estão mais sobrecarregadas com as tarefas do dia-a-dia. Estão mesmo beirando o colapso nervoso. É o chefe que não quer nem saber que o filho ficou com febre. É a geladeira vazia que não quer nem saber que ela teve que virar a noite trabalhando. É a raiz do cabelo que não quer nem saber que hoje tem prova na faculdade. Muito menos os ingratos músculos do seu bumbum. E, assim, a sobreposição de tudo ao mesmo tempo, “pra ontem”, é o quadro pintado bem à sua frente. A saída? Arrumar uma esposa para ajudar, como parece ser, segundo matéria do NYT, o desejo de muitas mulheres. Ou aprender a otimizar o tempo.

Otimizar o tempo significa, basicamente, adotar o mantra “enquanto isso… aquilo”. Enquanto ajuda a criança a montar o Lego novo, resolve mentalmente o problema do cliente. Enquanto o namorado vai ao banheiro do restaurante, checa os e-mails pelo celular. Enquanto lê o jornal, abaixa e levanta 50 vezes para deixar as pernas torneadas.

Esta dinâmica, embora cansativa, é útil e produtiva no enfrentamento das “múltiplas tarefas”. Mas o problema que se coloca é outro: o que se faz “por tarefa” e o que se faz “por prazer”?

Recente pesquisa com mães, realizada pela Uma a Uma, mostrou que estes limites estão um pouco borrados e as mulheres estão sentindo falta de se sentir “inteiras” quando fazem as coisas. O vício da produtividade está demolindo o prazer. Aquele prazer de comprometer todos os sentidos na contemplação de um quadro no museu. Bem diferente daquela tarefa de ir ao museu para aliviar a culpa de quem passou o mês inteiro sem ticar na agenda o ítem “consumo cultural”.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Chega de Quiche!

Os moços estão nervosos. Cansaram de tanta repressão. Cansaram de ser torturados com comidinhas elegantes que não matam a fome. Querem sua masculinidade de volta. Vão sair em passeata e queimar suas cuecas Calvin Klein. Vão se unir e vão gritar “chega de ter que mostrar que sou sensível, quero recuperar minha identidade, quero voltar a ser glutão!”

Talvez os homens estejam mesmo cansados de tanta frescura. Este comercial da Burger King, para o sanduíche Texas Double Whopper, é do ano passado e vale a pena rever. Brinca com as questões da identidade masculina destes tempos modernos.

Como conseqüência dos anos caminhando rumo à igualdade dos gêneros, a masculinidade associada ao “machão” acabou caindo em desuso. Freqüentar cabelereiro (não barbeiro), fazer risotos sofisticados, aplicar máscara hidratante antes de dormir, passaram a significar sensibilidade e a compor a representação de um “novo homem”. Mas, e quem não é assim e nem quer ser? Fica fadado a ser o “velho homem”?

Uma matéria da BBC Brasil nesta semana traz os resultados de um estudo inglês que revela que as mulheres que querem investir em uma relação duradoura preferem homens com feições mais femininas aos caracterizados como “machos”. Tanto os homens quanto as mulheres participantes do estudo julgaram a foto do homem com características mais femininas como o mais confiável, comprometido, paterno e caloroso.

Então, qual é o tipo de homem que agrada tanto às mulheres quanto aos homens nestes dias? Que engenhosa combinação de atributos “hetrosexuais” e “metrosexuais” trarão o equilíbrio? Ninguém é só machão ou só sensível, e dialogar com tantas possibilidades é realmente o maior desafio da comunicacão, para eles e para elas.

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Contando até Dez

Mulheres conversam muito entre si. Se interessam pelas opiniões alheias, gostam de dar e pedir conselhos, fornecem e solicitam dicas sobre os mais diversos assuntos. Muito positivo, muito solidário, muito útil. Porém, o lado B desta prática é totalmente neurótico, como mostra o episódio que nos foi relatado por uma mãe conhecida.

Chegava ela à brinquedoteca (quando foi que inventaram esta palavra?) do clube, numa típica manhã de sábado feliz. Logo na entrada, deparou-se com uma colega dos tempos de faculdade. Justamente uma certa colega que tinha compartilhado com ela um mesmo “ficante” (muito embora este termo sequer existisse no início da década de 90, lá no século passado, quando ambas haviam se formado). A diferença é que a colega tinha se apaixonado pelo cara que, como se pode imaginar, estava “super querendo”, aos 18 anos, um compromisso sério com ela. Mas, de todo modo, ela não gostou de saber que ele tinha gravado uma fita K7 romântica para a nossa mãe-depoente, e nenhuma para ela. Enfim, elas não se bicavam muito e, dentro de instantes, isto seria revivido, agora em um novo campo de provas.

Máscara de simpatia a postos. Cada uma “portando” sua filha de 3 a 4 anos, foi dada a largada:

- Oi, querida. Que graça sua filha. Em que escola ela está?

“Nossa!” - pensou nossa mãe-depoente - “como é direta!”. “Acho que vou responder que ela não está na escola. Que eu vou alfabetizá-la em casa, utilizando um método que eu mesma inventei com a ajuda de um pessoal lá de Mauá”. Mas, não teve coragem, e respondeu o nome da escola.

- Humm… não conheço. É bilíngüe?

“É” - pensou nossa mãe-depoente – “ela aprendeu o mandarim antes mesmo do português. Sabe, o futuro…”. Mas, respondeu a verdade, que não, não era bilíngüe.

Neste momento a colega olhou para os lados, provavelmente procurando alguma outra mãe para conversar, mais à altura de seu padrão educacional, mas, como não encontrou ninguém, ficou ali mesmo.

Conversaram alguns segundos sobre outros assuntos para aliviar a tensão. Nossa mãe-depoente estava até achando-a mais simpática aos 40 do que aos 20. Logo, a conversa retoma o trilho inevitável:

- Minha filha demorou um pouco para andar. Deu os primeiros passos sozinha aos 8 meses e meio. E a sua?

- Não lembro, respondeu nossa mãe-depoente, só para chocá-la. Lembro apenas do dente. O primeiro, nasceu aos 10 meses, 7 dias e 14 horas. Eu estava tão preocupada com isto que, certo dia, cheguei a abrir a boca dela 47 vezes para ver se via algum pontinho branco na gengiva. Não sei como ela não teve uma câimbra…

- É. A gente se preocupava com cada coisa, né? – disse a colega, tentando esconder que o emprego do verbo no tempo passado era apenas retórica.

A gostosa conversa ainda abordou o número de cores que cada filha sabia, a quantidade de brócolis que cada uma comia, o tanto de horas que cada uma dormia. Quando a colega perguntou se a filha da nossa mãe-depoente já montava sozinha um quebra-cabeça de 100 peças, ela resolveu dar uma volta e ver se achava um pai para conversar.

Interessante como, de forma mais ou menos acentuada, as mães alimentam este tipo de investigação. As experiências relatadas pelo outro funcionam como um termômetro sobre o quanto estão confortáveis com as próprias. Do celular escolhido ao marido escolhido, as conversas femininas são ferramentas poderosas e, às vezes, perigosas…

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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Ovo ou Galinha?

Os trend-watchers americanos não param. Rótulos e mais rótulos para novos perfis de consumidores são inventados a toda hora, com agilidade de matar de inveja a tiazinha do pastel lá da feira do Pacaembu.

Metrosexual, alpha-moms, twins, D.I.N.K.S (double-income-no-kids), baby-boomers, generation-X, generation-Y, prime-time-women… Um verdadeiro drive-thru de identidades. Você, executivo de marketing, chega, adquire o seu estudo inovador e, meses depois, lança produtos de sucesso para novos perfis de consumidores, que nem sabiam que assim se chamavam.

Ou, numa outra hipótese, tudo pode começar com o próprio rótulo. Afinal, no mundo das identidades fluidas, o consumidor poderia pensar: “humm, boa idéia, estava mesmo na hora de eu dar uma atualizada no meu ‘si mesmo’!” E, assim, o moço que tomaria banho com sabão de côco numa boa, resolve começar a usar hidratante à base de chá verde, porque percebeu que ser metrossexual é o que “tá pegando”. Então, o que vem primeiro: o rótulo ou a tendência? Tanto faz, contanto que compre a linha completa de óleos essenciais…

Vamos à mais nova segmentação. A equipe da empresa de marketing Consumer Eyes (bons de nomes eles são) fez uma imersão na vida de um amplo grupo de consumidores americanos e emergiu com nove novos padrões que, na opinião dos autores do estudo, deveriam estar no radar de todo marqueteiro que se preze.

Alguns tipos identificados (e publicados no livro Karma Queens, Geek Gods and Innerpreneurs):

Sras. Independentes (Ms. Independents): mulheres solteiras de altíssimo poder aquisitivo, que adoram gastar com elas mesmas, principalmente em marcas de designers famosos. São poderosas no trabalho e astutas em casa.

“In”presários (Innerpreneurs): empresários de todas as idades e sexos. Estão em constante “brainstorming” para mudar suas vidas e encontrar a paz interior. Querem marcas envolvidas em causas sociais. Até nas férias procuram viagens relacionadas a causas nobres.

Rainhas do Carma (Karma Queens): mulheres maduras, de 40 a 50 anos, do tipo ex-hippie-zen. Se interessam por questões e produtos relacionados ao equilíbrio entre o corpo e a mente. São grandes adeptas da medicina alternativa.

Paistocratas (Parentocrats): pais obcecados pelo que consideram melhor para seus filhos, custe o que custar. Investem em produtos como “Net Nanny”, um software que permite espionar a babá em casa, entre outros.

E-litistas (E-litists): também conhecidos como “verdes light”, têm o maior interesse em produtos ecológicos, desde que não tenham que abrir mão do seu estilo e conforto. Gostam de saber que todos sabem que eles dirigem um carro híbrido.

Sem os mesmos “rótulos-espertos”, todos estes temas bem que já foram tratados aqui no Blog Uma a Uma:

Ms. Independents em Mulher Solteira Encontra
Innerpreneurs em Chique é Ser Eco-Sensível
Karma Queens em Vai Levar um Bem-Estar Hoje?
Parentocrats em Mães ISO 9002
E-litists em Verde = Pretinho Básico

Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.

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