Barbie Eterna
Artigo publicado há alguns meses na revista Mente e Cérebro comenta pesquisa realizada pelo psicólogo americano Albert Magro, da Universidade Fairmont, Virginia do Oeste, na qual o pesquisador buscou reconhecer e decifrar a beleza ideal.
Magro mostrou a 495 indivíduos fotos e ilustrações de pessoas com diversas características físicas, e detectou quais foram os aspectos mais valorizados e os mais detestados.
A pesquisa comprovou o que, no fundo, todos já sabemos: para os homens, bonita mesmo é a Barbie. A união de todos os atributos valorizados pelos pesquisados reproduz “em cheio” a aparência da sonsa bonequinha: jovem, loira, lábios rosados e carnudos, pele lisinha, cintura fina, quadril arredondado, olhos grandes. Ninguém falou sobre ela estar sempre quietinha, nunca reclamar de nada e ainda dormir e acordar com um leve sorrisinho nos lábios. Mas imagino que eles gostem disto também.
Já as características mais detestadas correspondem às dos nossos antepassados primitivos e às de alguns macacos modernos. Traços físicos que nossa espécie abandonou, conforme evoluiu. Ou seja, precisamos perpetuar as características mais evoluídas ou, caso contrário, voltaremos a ser macacos!
Desejar barbies é garantir a evolução da espécie. Psicólogos evolucionistas explicam que as mulheres dotadas de qualidades tidas como belas, são identificadas como portadoras de bons genes e, por isto, os homens querem unir-se a elas, assegurando boas possibilidades de reprodução e sobrevivência da espécie. Jovem, corpo de violão, rosto simétrico, cabelos sedosos, pele lisa e firme, representam a equação perfeita: fertilidade + bom patrimônio genético + bom sistema imunológico = bons bebês.
Aliás, até os bebês concordam com isto. Uma pesquisa inglesa, feita com 100 meninos recém-nascidos, apresentava a eles duas fotos, uma de uma mulher muito bonita, a outra de uma mulher comum. O olhar dos bebezinhos voltaram-se quatro vezes mais para a mulher bonita. Ou seja, estamos biologicamente programados para as nossas escolhas futuras.
Podemos pensar, então, que todo o arsenal pós-moderno de clínicas, produtos e tratamentos, à disposição da construção da beleza ideal, assim como as mulheres que os buscam incansavelmente, estão a serviço da evolução da espécie.
Fica, também, mais fácil entender por que a mídia e a publicidade, com tão poucas exceções, não se cansam de propagar a beleza à la Barbie. Imaginem, no futuro, serem acusadas de reponsáveis pelo nascimento de bebês-macaquinhos?
Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.
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