O que? Você não reparou?
Há alguns dias, uma amiga relatou a seguinte conversa que teve com seu marido:
Ele - Ótimo aquele posto de gasolina que abriu ali na rua de baixo. Lavam o carro. O preço é justo. Tem lojinha de conveniência, com café expresso. Beleza!
Silêncio.
Ele (diante da expressão de estranhamento dela) - Por que está me olhando assim? Você não achou?
Ela - Você está falando do posto que abriu ali na rua de baixo? Lojinha ótima? Não achei, não. A porta estava suja. O moço que me atendeu, mal-humorado. A música, alta demais. Tinha um cheiro esquisito, que nem consegui identificar do que era. A água, que entrei para comprar, não pude alcançar porque estava numa prateleira muito alta. Eu, hein! Deixei pra lá e fui embora. Não gostei.
O marido, já acostumado com tanta sensibilidade, suspira e muda de assunto.
Poderíamos pensar que a riqueza de detalhes (ou de reclamações, no caso) é, para usar um termo suave, frescura. Mas, não é. Ou, pelo menos, é uma frescura que pode ser explicada biologicamente.
Estudos científicos mostram que as diferenças biológicas entre os sexos atingem também a percepção extra-sensorial. Dado o mesmo nível de estímulo, a resposta feminina é muito mais sensível, no que diz respeito à audição, olfato, paladar e tato. No caso da visão, enquanto os homens são mais precisos e focados, as mulheres têm melhor visão periférica.
Explicação para todos aqueles detalhes que ela reparou na decoração daquela festa a que foram e que ele… imagina! Explicação também para o fato de ele sempre achar, antes, o dvd que estão procurando na locadora. Quanta complementaridade! E, também, quanta discussão!
Para as empresas, fica a mensagem de como os detalhes são importantes para encantar a mulher, por exemplo, num ambiente de compra. Cheiros, sons, expressões, cores e texturas. Para ela, tudo importa.
Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.
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