Mamãe, Eu Quero!
Adolescentes insatisfeitas com seu corpo, existem por todos os lados. Sempre existiram. É o dente, que é muito torto; o joelho, que é esquisito; os seios, que são muito pequenos ou muito grandes. Tudo parece ser problema, nesta fase da vida em que auto-estima é coisa rara.
Num mundo, no entanto, onde a beleza se tornou uma mercadoria a ser consumida, a adolescente não precisa mais esperar o lento processo de superação da típica crise da idade e, muito menos, aprender a conviver com suas características físicas indesejadas. Bombardeada por mensagens que a ensinam que, se não obedecer ao estreito padrão de beleza contemporâneo, ela não será ninguém, provavelmente reflete: por que sofrer, se posso comprar o nariz que desejo, se posso ter o peito igual ao da atriz da novela? E, ainda, pagar em prestações?
E é assim que meninas, menores de 18 anos, vêm aderindo, cada vez mais, à “magia” da cirurgia plástica.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de adolescentes que colocam prótese aumentou 300% nos últimos 10 anos. No Brasil, cerca de 650 mil intervenções foram realizadas em 2005, 15% em jovens de 14 a 18 anos (nos EUA, este índice não passa de 7%). Um percurso assustador para o qual, curiosamente, contam com o apoio de suas mães.
Uma matéria exibida, recentemente, no Fantástico, e disponível no site do programa, sobre a obsessão pela beleza, trazia o exemplo de uma menina, muito bonita aliás, que recorreu à cirurgia para implante de silicone, porque assim, e só assim, ela seria feliz. A mãe apoiou. O pai, resistente e omisso, acatou. A repórter acompanhou a operação. Um belo produto midiático, cujo final, ao menos o apresentado pela reportagem, pareceu feliz.
Outro caso, este disponível no site da Revista Claudia, fala de uma garota de Brasília que, aos 16 anos, já “possui” uma prótese mamária, lipo abdominal, lipo no culote e Botox no rosto. A mãe da menina se gaba: “enfrentei a resistência do meu marido e do namorado dela. Também deixei de fazer intervenções em mim para investir num corpo perfeito para minha filha, livrando-a da timidez e do complexo que tinha”.
Que a mídia é implacável na disseminação da estética perfeita, sabemos. Que as meninas novas são cada vez mais estimuladas a associar identidade a aparência física, sabemos. Mas, que as mães passem a legitimar esta busca como algo de que não se pode fugir, é mesmo um triste sinal dos tempos.
Este cenário ajuda a entender o sucesso da comunicação de marcas como Dove, que associam sua imagem ao que todos sabem ser o que é certo dizer a estas meninas.
Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.
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