Rosa Forever…
As meninas preferem a cor rosa e esta preferência pode ser explicada biologicamente. É a conclusão a que chegou um estudo conduzido por pesquisadores da Newcastle University.
A metodologia utilizada foi simples: homens e mulheres, entre 20 e 26 anos, olharam para pares de retângulos coloridos e foram solicitados a, rapidamente, escolher sua cor preferida. O resultado: mulheres tendem a escolher o rosa. E o estudo diz que isso pode ser genético.
Pára tudo! Só um minuto! Vamos voltar um pouquinho. 20 a 26 anos atrás. Você está chegando da maternidade no colo da sua mãe. Sua mãe está totalmente ansiosa para te mostrar o seu novo quarto. A esta altura, você já está com o figurino que te acompanhará pelos próximos 3 ou 4 anos: calça rosa, blusa rosa, meia rosa e um laçarote rosa na cabeça (preso por um adesivo absurdo, já que nem cabelo você tem).
Sua mãe espera por este momento há nove meses. Escolheu cada minúsculo detalhe daquele quarto. Mandou pintar cinco vezes a parede, até chegar à cor exata que sonhou para você. Ela, agora, entra no quarto-querido e você… se sente mergulhando em uma caneca gigante de milkshake de morango.
É então que ela olha para você e pergunta, com a voz embargada: “gostou do seu quartinho, meu amor?” O que você vai dizer? “Não, mamãe”? “Preferia que fosse de outra cor”? Imagine! E se o leite dela seca de desgosto? E é assim que você começa a gostar do rosa.
Conheço uma menininha que nunca teve o menor constrangimento em proclamar “eu odeio rosa”. Um dia, quando ela tinha uns 5 anos, entrou numa loja infantil, cuja nova coleção de roupas (novidade!) tinha o rosa como cor predominante e disparou: “se eu pudesse, tocaria fogo neste lugar!”.
Mas ela é uma exceção. As meninas passam a vida ganhando ursinhos rosa, roupinhas rosa, fivelinhas rosa. E aprendem que o rosa é feminino, romântico e mágico como o reino das princesas. Onde tudo sempre dá certo.
Aí você chega aos 20-26 e é chamado por uns cientistas malucos para participar de um teste pirado. “Nossa! Que surpreendente! Ela escolheu a cor rosa”. E ainda acham explicação, mais uma vez, na evolução da espécie: “no passado, as mulheres precisavam distinguir frutos rosa-avermelhados nas árvores para alimentar a prole.” Bom, mas então como é que as bananas, as laranjas e os limões sobreviveram?
De qualquer forma, o importante é que as meninas crescem e, mais cedo ou mais tarde, se libertam do rosa. Mais pragmáticas, passam a adotar a cor preferida da estação, que dá mais certo. Afinal, os príncipes de hoje em dia também acompanham os editoriais de moda e, sabe como é: com rosa ou sem rosa, príncipe é príncipe!
E pesquisa é pesquisa! Uma ferramenta essencial ao nosso trabalho. Mas também, se usada sem cautela, um caminho curto para todo tipo de conclusões esdrúxulas.
Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.
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