Uma Nova Mulher
Todos os anos, mais ou menos nesta época, nasce, na mídia, uma Nova Mulher. Sua apresentação é, com freqüência, precedida de algo do tipo “enfim…”, cuja função é nos dizer que agora é pra valer: esta é a mulher que “está usando”. As anteriores, podem jogar no lixo. Reciclável, por favor, porque estamos na era do consumo consciente.
O Dia Internacional da Mulher é a melhor oportunidade para vermos, de forma condensada, aquilo que a mídia pensa a nosso respeito. Ou melhor, a respeito dela: a Nova Mulher. Não que nos outros meses não haja um bombardeio permanente de modelos e receitas de comportamentos “novos e atuais”, mas alguma coisa acontece em março, e todo mundo resolve sintetizar o “insintetizável”.
Esta mulher não é muitas coisas, isso todos já sabem. Ela não é a dona-de-casa molóide dos anos 50, não é a feminista de voz grossa dos anos 60 e também não é a maluca que queria ser perfeita em tudo do ano 2007 (ah, não? Sei, sei…).
Rótulos não lhe faltam: mulher do século XXI (estranho, porque todas as mulheres que estão vivas neste momento…), millenium woman, mulher alfa, terceira mulher, mulher 2.0, feminista-feminina, feminina-feminista, indeterminada, equilibrista.
Mas, quem é esta figura afinal? Vamos a um exemplo. Ano de 2007. Revista:Veja Edição Especial Mulher. Capa: Angelina Jolie. Chamada de capa: “O que ela já tem da mulher do futuro e que todas teremos”. Nada, imagino. Alguém aí tem um Brad Pitt, por acaso? Alguém aí ganha cachê de 20 milhões de dólares por filme? Alguém aí tem cicatrizes suuuuper descoladas para ostentar sob as fendas de um vestido Hermès? Aliás, alguém aí tem um vestido Hermès?
Bom, então, o que ela tem que todas teremos? Dá pra ser alguma coisa mais fácil de conseguir? Claro! Trata-se, nas palavras da revista, da “nova austeridade”. Que consiste em: ser “careta” sem ser “certinha”. Ser “sexy sem ser vulgar”. Ter “aparência simples e essência complexa”. Ser “guerreira e frágil”. “Enfim, uma heroína de carne e osso”. “A cara do futuro”.
Tá fácil este futuro! Mas, nada de pânico. Isto foi nos idos de 2007… Em um ano, muita coisa pode mudar. Vamos aguardar o que vem por aí.
Denise Gallo e Renata Petrovic são sócias da Uma a Uma.
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Deh disse,
4 de Março de 2008 @ 11:48
Estes estereótipos monstruosos são os grandes responsáveis por na maioria das vezes nós mulheres não fazermos simplesmente a menor idéia de como agir, pensar e se comportar.
sempre passo por aqui…
:)
Talita disse,
5 de Março de 2008 @ 11:45
Vixe… Usar a Angelina Jolie para servir de exemplo de mulher bonita e famosa eu aceito. Mas mulher do futuro? Fala sério… Seu glamour, seu jeito descolado e tudo mais, fazem parte de um pacotão pensado e repensado minuciosamente por agentes, produtores, assistentes, etc. Ou alguém realmente acha que no conforto do seu lar, no dia a dia ela vive linda e glamurosa? A Angelina (e isso vale pra outras estrelas) que conhecemos não é sequer uma mulher DE VERDADE, que dirá a mulher do futuro!
Tat Vegi disse,
12 de Março de 2008 @ 23:47
Concordo em número, gênero e grau que março é o mês em que a Mídia propõe uma reflexão sobre o universo feminino. Então que tal aproveitarmos a carona para refletirmos sobre a mulher que somos e a mulher que gostaríamos de ser? Fica aqui o convite…