Nova Coluna na Revista TPM
O consumo de pornografia cresceu entre as mulheres. Cientistas e analistas do comportamento humano saem à busca de explicações. Uns constatam que, sim, as mulheres se excitam com cenas de sexo explícito, e pensar o contrário seria uma imposição cultural. Outros dizem que pode ser, mas que é preciso que haja enredo, clima, porque mulher gosta mesmo é de romance. Há também aqueles que afirmam que, diferentemente dos homens, mulheres consomem pornografia apenas para uso “a dois”. Difícil fazer afirmações absolutas nesse campo. O fato é que o consumo feminino de DVD’s, canais adultos, sex shops e toda a parafernália erótica disponível no circuito “sexo-show”, vem crescendo com furor.
Nos canais a cabo prevalece a exibição da pornografia ginecológica, em que o homem comanda o jogo e a mulher praticamente não existe. O corpo feminino é um conjunto de orifícios desconexos. Uma perna para o lado, outra perna para cima. Uma mão apoia o peso do corpo, a outra segura um pênis. A boca abocanha um outro pênis, ao mesmo tempo em que emite gritos ritmados. As costas arqueadas, o pescoço contorcido. E ainda precisa olhar para a câmera, para que o telespectador possa se sentir incluído naquela cena cubista, com muito sexo e pouca vida.
Cardápio de sexo
Atentos à audiência feminina, no entanto, os canais abrem espaço para programas produzidos “especialmente para mulheres”. Neles, filmes eróticos oferecem o pacote das “fantasias-padrão” e são costurados por dicas e lições preciosas: a personal sex trainer ensina a posição “esteio”, muito praticada nos filmes, que garante o máximo prazer. Uma outra especialista chama atenção para os poderes do olhar e ensina como é importante abaixar um pouco o queixo e fitar o homem por 3 a 5 segundos para conseguir um efeito altamente sedutor. Há também as recomendações e acessórios para quem quiser, uma hora dessas, viver uma experiência sadomasoquista.
Boas pra quem?
Incrível! Até a pornografia, quando é para a mulher, tem que ser embalada por algum tipo de ensinamento. Formando mulheres boas de cama! Boas para quem? A combinação do espetáculo performático dos filmes com o “faça você mesmo” das dicas, projeta o erotismo para algum lugar distante. Não sei bem para onde, mas, certamente, nesse lugar haverá uma sex shop.
Já faz tempo que o erotismo foi parar nas prateleiras e a performance espetacular é o mínimo que se espera. Por todos os lados na mídia, corpos inteiros ou em partes se fundem na imagem de um gozo eufórico e estridente.
Para encontrar um lugar neste palco, é preciso se graduar no uso do olhar, nas técnicas para massagear, na forma de apoiar os pés, no tom de voz a adotar. Na vida real, contudo, a fusão dos corpos segue regida pelas delícias e aflições que pertencem às intimidades e o mundo interno feminino é bem mais rico do que todo este enredo.
